quarta-feira, 10 de julho de 2013

O que é Crossdresser?

Antes de mais nada, crossdresser é uma pessoa comum, como outra qualquer. Os termos crossdresser, travesti ou “transgênero” são usados para descrever um homem que regularmente assume a aparência do gênero feminino a fim de satisfazer uma profunda necessidade pessoal que pode estar ligada aos mais variados tipos de motivação. Usamos o termo “crossdresser”, ou simplesmente CD, para designar travestis que não permanecem montados 24h por dia e tampouco exercem atividades remuneradas na indústria do sexo.
Quais são as causas do crossdressing/ travestismo?
Até o momento, não existe nenhuma resposta definitiva a respeito do que leva uma pessoa, nascida macho, a desenvolver essa necessidade de se vestir e/ou de se comportar socialmente como fêmea. O que se sabe é que o não atendimento de tal necessidade acarreta estados de intensa angústia e ansiedade no crossdresser.
A hipótese que é atualmente mais aceita explica o fenômeno do crossdressing/travestismo como resultado de uma combinação de inúmeros fatores socioculturais com a herança genética individual de cada um. Dentre os fatores socioculturais, os estudos incluem itens como modo de criação, expectativa dos pais, educação recebida, percepção individual dos padrões de gênero, etc. Na herança genética individual, os estudos já contemplaram itens que vão desde a carga genética em si (existiria um gen “transgênero”?) até uma acentuada descarga de hormônios femininos no feto masculino, ainda no útero da mãe. Contudo, como já afirmamos antes, nenhum desses estudos aponta para uma conclusão irrecorrível quanto às verdadeiras causas do fenômeno.
Em termos concretos, o travestismo é simplesmente a expressão de uma identidade de gênero feminina através do vestuário, assumida e praticada por uma pessoa de sexo masculino (travestismo refere-se basicamente a homens que se vestem de mulher, uma vez que, nos dias atuais, a sociedade não opõe nenhuma resistência significativa a que uma mulher se vista como homem).
De acordo com a lógica social, que está longe de ser a lógica da natureza ou a lógica de cada indivíduo, um macho deve enquadrar-se naturalmente no gênero masculino. Por esse prisma, o crossdresser representa tanto uma contradição quanto uma afronta aos padrões de comportamento esperados de um indivíduo macho pela sociedade. Entretanto, pelo prisma da identidade de gênero percebida pela própria pessoa do crossdresser, o travestismo não pode ser considerado menos menos autêntico ou verdadeiro do que a masculinidade ou feminilidade expressa por qualquer macho ou fêmea perfeitamente identificado com o gênero que a sociedade lhe atribuiu.
Travestismo tem cura?
Não há que se falar em “cura” para o travestismo pela simples razão de que não se trata de uma doença, mas de um “modo de ser”, um outro gênero, ou seja, um “TRANSGÊNERO”, diferente dos dois únicos gêneros até agora reconhecidos e validados pela sociedade que são o gênero masculino e o gênero feminino. Um novo gênero, resultante da identificação do indivíduo macho com os padrões de conduta socialmente estabelecidos para o gênero oposto ao que lhe é normalmente reservado.
O Travestismo é um Fenômeno Novo?
Para que ninguém imagine tratar-se de mais um modismo da Internet, é necessário lembrar que o travestismo é uma das mais antigas manifestações da humanidade, havendo registros da sua existência em praticamente todas as culturas de todas as épocas e em todos os lugares ao redor do planeta.
Sempre houve travestis em toda a história da civilização. Inclusive, em virtude das suas características dúbias, tão únicas e especiais, em muitas sociedades os travestis exerceram papéis da maior relevância, sendo sacerdotes, conselheiros, curandeiros, magos, adivinhos e xamãs.
A predisposição cultural de uma dada sociedade em relação ao travestismo é que determinará se esse fenômeno vai ser ou não “um problema” para aquela cultura.
Que tipo de pessoas são crossdressers?
Travestis são provenientes de todas as raças e classes socioeconômicas existentes na sociedade. Solteiros e casados, patrões e empregados, doutores e analfabetos, ricos e pobres, pretos e brancos, jovens e velhos, hetero, bi ou homosexuais – todos os tipos de pessoas, indistintamente, podem se revelar travestis.
O Travestismo é ilegal? É imoral?
Não há absolutamente nada de ilegal ou imoral no ato de um homem se travestir. Nada que desrespeite ou ofenda qualquer lei ou dispositivo legal existente no Brasil ou na maior parte do mundo. Da mesma forma, a maioria das chamadas grandes religiões não consideram o travestismo imoral, exceto setores fundamentalistas que pretendem levar a sério certos dispositivos do velho testamento(não todos, evidentemente, pois isso impediria radicalmente muitas das suas práticas diárias no mundo de hoje…).
Travestismo tem a ver com a orientação sexual da pessoa?
Assim como o seu sexo genital, a orientação sexual de uma pessoa é algo completamente distinto da sua identidade de gênero. A diversidade da orientação sexual humana existe entre os crossdressers nas mesmas proporções em que existe na sociedade em geral. De fato, como provêm de todas as camadas da população, o travesti “médio” provavelmente será um indivíduo com orientação heterossexual, casado e com filhos. Mas isso evidentemente não exclui a existência de travestis homossexuais, bissexuais ou assexuais.
Como é Ser Crossdresser?
A maioria dos crossdressers descobrem sua necessidade de se travestir quando ainda são crianças. Mesmo sem fazer a menor idéia do “por quê fazem o que fazem” ou do “por quê sentem o que sentem ao fazê-lo”, descobrem rapidamente que expressar este lado da sua natureza pode lhes acarretar complicações e duras repreensões por parte dos pais, da família e dos amigos – gente que eles amam e valorizam acima de tudo. Em virtude da repulsa que sofrem pelo seu ato vergonhoso, todo crossdresser desenvolve ainda muito cedo sentimentos extremamente penosos de culpa e auto-punição, além de passarem sistematicamente a ocultar de todas as outras pessoas toda e qualquer manifestação do seu travestismo que assim se torna uma atividade essencialmente solitária.
Dentro desse quadro de intensa auto-comiseração, é bastante comum que muitos crossdressers façam todo o possível para negar, reprimir e eliminar este aspecto singular da sua personalidade, visto de forma tão repulsiva e vexatória pelas outras pessoas.
O problema é que “ser crossdresser” não é algo que possa ser “sumariamente cortado” da vida física e psíquica uma pessoa. A continua negação e auto-repressão de um aspecto tão fundamental da personalidade pode resultar, inclusive, em severos distúrbios mentais, com danos irreparáveis para o saúde emocional de um crossdresser.
A vergonha, o medo e a solidão de um crossdresser acham sua expressão mais aguda e torturante em pensamentos como: – “será que meus melhores amigos, meus colegas de trabalho, minha família, meus pais, minha espoca/namorada/companheira ou meus filhos ainda iriam gostar de mim, me amar e me respeitar se eles soubessem desse meu lado? Será que iriam me rejeitar,me desprezar e me excluir do seu convívio?
Muitos crossdressers acabam não suportando viver desse jeito e se abrem para os seus entes queridos mais próximos. Muitos fazem isso sem nenhuma preparação, em clima de quase desespero. Muitos se preparam longamente, aprendendo tudo que podem a respeito dessa sua condição antes de se abrirem e se revelarem para as pessoas mais próximas e queridas.
Embora possa ocorrer alguma rejeição, na maioria das vezes os crossdressers são surpreendidos por uma carinhosa receptividade por parte dos seus cônjuges, familiares e amigos a quem se revelam. Graças a essa grata compreensão e aceitação por parte das pessoas que amam, conseguem obter uma melhoria substancial nos seus próprios níveis de auto-estima e auto-aceitação.
E, claro, é possível, sim, uma pessoa ser Crossdresser e se sentir plena, completa, feliz e equilibrada!
O que você pode fazer por uma pessoa que se revela ser travesti para você?
O principal é ser capaz de reconhecer e aceitar que tal revelação não modifica em nada o parceiro, o irmão, o filho, o pai ou o amigo que você sempre conheceu e sempre respeitou pelo que ele é. A única diferença é que agora você ficou sabendo de uma nova faceta dessa pessoa que também precisa e merece ser respeitado.
O melhor que você pode fazer por ela, se estiver a fim de fazer alguma coisa, é não fazer absolutamente nada além daquilo que você já faz, continuando tão somente a conviver com ela da mesma forma que sempre conviveu. Apenas com o coração e a mente abertos e receptivos para aceitar que a pessoa seja o que ela é. Nada mais além disso.

Texto traduzido e adaptado por Letícia Lanz, diretamente do texto original produzido e divulgado pela The Seahorse Society organização australiana dedicada à promoção do respeito entre pessoas transgêneras e seus familiares e amigos e uma melhor compreensão do que é travestismo em todos os segmentos da sociedade. Seu lema é “travestismo com Dignidade” (Letícia Lanz, junho de 2008).

Um comentário:

  1. boa tarde sou Dom Monteiro e sou um amante e comedor de cdzinhas tenho um blog de contos eroticos onde falo de minhas aventuras com cdzinhas.

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